As mais recentes concessões de Indicações Geográficas (IGs) pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) reforçam a valorização dos produtos de origem brasileira e elevam para 165 o número de certificações nacionais reconhecidas no país. Desse total, são 131 Indicações de Procedência (IPs) e 34 Denominações de Origem (DOs), evidenciando a diversidade cultural, produtiva e territorial do Brasil.
Os novos registros contemplam o alho roxo do Planalto Catarinense, reconhecido na modalidade Denominação de Origem (DO), e o tradicional Pão no Bafo de Palmeira, no Paraná, certificado como Indicação de Procedência (IP).
O reconhecimento do alho roxo do Planalto Catarinense foi publicado no dia 23 de junho de 2026, e abrange os municípios catarinenses de Caçador, Lebon Régis, Fraiburgo, Monte Carlo, Brunópolis, Curitibanos e Frei Rogério.
De acordo com os estudos que embasaram o pedido, as características únicas do produto resultam da combinação entre fatores naturais e humanos presentes na região. O clima subtropical frio de altitude, a elevada amplitude térmica, a ocorrência frequente de geadas, o fotoperíodo das latitudes meridionais e os solos derivados de basalto contribuem para o desenvolvimento de um alho com coloração roxa mais intensa, aroma marcante, pungência acentuada e propriedades funcionais diferenciadas.
Além das condições ambientais, o reconhecimento também considera o conhecimento acumulado por gerações de produtores locais, responsáveis pelo desenvolvimento de técnicas próprias de seleção clonal, manejo, cura e armazenamento, fundamentais para a identidade do produto.
Já o município de Palmeira, nos Campos Gerais do Paraná, conquistou o registro de Indicação de Procedência para o tradicional Pão no Bafo no dia 16 de junho de 2026.
Com raízes nas tradições culinárias dos imigrantes europeus que chegaram à região entre os séculos XIX e XX, especialmente alemães, italianos e poloneses, o prato tornou-se um dos principais símbolos gastronômicos do município. Seu preparo é caracterizado pelo cozimento da massa em vapor quente — o chamado “bafo” — técnica que deu origem ao nome e que permanece preservada até hoje.
Preparado em camadas de carne de porco, repolho ou couve e massa de pão cozida no vapor, o Pão no Bafo está presente em festas populares, eventos culturais e restaurantes da região. Em 2015, o prato foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial de Palmeira por meio de decreto municipal.
Com a nova certificação, o Paraná amplia sua liderança nacional em número de Indicações Geográficas, somando 27 registros. Minas Gerais aparece na sequência, com 22 certificações, seguido por Rio Grande do Sul e São Paulo, ambos com 15.
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